Ode à minha insignificância… Sábado, Jun 14 2008 

“Inofensiva”: é essa mísera e tão medíocre palavrinha que me serviu de predicado nas palavras dos meus próprios amigos. Sim, sou inofensiva…

É muito triste ser inofensiva, não chega a ser ruim, tampouco posso dizer que é bom.

Pais não ficam preocupados com filhos inofensivos, mas não é deles que se orgulham de contar no trabalho.

Inofensivos são esses serezinhos que nos acompanham pela vida, não estão entre nossos melhores amigos, mas não os consideramos inimigos. Por que será que você nunca falou com o inofensivo?? Ah! Eu disse oi, só não conversei mais porque ela era assim, inofensivo…

Por que é que você não olhou para aquela garota? – Qual? Aquela?! Ah! Nem percebi que ela estava lá, meio inerte, meio insípida, meio inofensiva, insignificante.

Até mesmo na selva, ninguém lembra dos inofensivos, eles podem sobreviver, podem se extinguir, mas são tão inofensivos, que ninguém percebe.

Assim o foi com os dodôs. Fala-se até hoje sobre a extinção do grande tigre-dente-de-sabre, do grande mamute, até mesmo da preguiça gigante. Todos desapareceram da terra há milhares de anos…

E quanto aos dodôs?! Ninguém lembra que eles existiram até que o expansionismo europeu atingisse o leste africano e que o último dessa espécie tombou, sozinho, sem grandes efeitos, por volta de 1505, nas Ilhas Maurícias (outra grande e inofensiva ilha, ofuscada por Madagascar).

E o motivo do seu desaparecimento foi bem diferente das grandes alterações climáticas, da caça desenfreada por sua pele, óleo ou carne. Não, ele desapareceu tão somente porque era meio bobo, meio “doido” (predicado que inspirou o nome da ave).

O dodô não tinha medo dos humanos, era grande, desajeitado e não voava, ficava “pairando” por um solo que, de repente, não lhe pertencia mais…

Sim, sou um dodô!

Aguardo a minha extinção, contando os dias que me restam, passando por eles, tentando descobrir no inusitado momentos de riso, de admiração, de felicidade.

Tento interagir com as outras pessoas, me esforço, falo com todo mundo! Permaneço alheia, no entanto.

Alheia como sempre fui, naquele meu mundinho oco, impenetrável, meu canto seguro e solitário, onde meu reinado é absoluto.

Sou súdita e soberana de mim, mas nada tenho em relação a ninguém, apenas aquela antiga sujeição familiar que me ocupa os dias e repleta meus últimos dias com atividades.

É assim que vivo, de últimos dias. Sem sentir pena, sem sentir saudade e, ao mesmo tempo, sem ter qualquer idéia do que virá adiante, qual será o próximo capítulo.

Aventuras? Emoções? Maravilhas?

Nada disso. Jamais foi assim, eu não tenho significância o suficiente para isso.

sou mesmo um dodô

 

para maiores informações acerca do dodô (ou seja, de mim):

http://lavaflow.blogs.sapo.pt/104076.html

Afinal, Sunrise… Sábado, Jun 14 2008 

Sunrise
Sunrise
Looks like morning in your eyes
But the clock’s held 9:15 for hours

Sunrise
Sunrise
Couldn’t tempt us if it tried
Cuz the afternoon’s already come and gone

And I said
Hooo, hooo, hooo
To you

Surprise
Surprise
Couldn’t find it in your eyes
But I’m sure it’s written all over my face

Surprise
Surprise
Never something I could hide
When I see we made it through another day

Then I say
Hooo, hooo, hooo
To you

And now the night
Will throw its cover down, ooo, on me again
Ooh, and if I’m right
It’s the only way to bring me back

Hooo, hooo, hooo
To you
Hooo, yeah, hooo, hooo
To you

 

Norah Jones

de repente… Sexta-Feira, Jun 13 2008 

Soneto da separação
 

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
 

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
 

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

 

Vinícius de Moraes

Surpresas… Sábado, Jun 7 2008 

Bom, ontem foi dia de festa!

Gostei! Mais do que pensei que fosse gostar…

Descobri também algumas coisas:

1. Amigos bêbados são engraçados e imprevisíveis

2. É proibido tentar entrar em toaletes de baladas

3. Não é necessário beber, nem ficar para se divertir de verdade em baladas

4. Não interessa muito se a música é boa, aliás, nem a companhia importa tanto assim como dizem, o que realmente faz a diferença é o quanto você se permite curtir.

Chega de conclusões, a vida não se presta a isso… vamos ao desenvolvimento…

Acreditava que a companhia era essencial em lugares como esse. Lógico que encontrar seus amigos em um ambiente como aquele é maravilhoso, mas, em determinados momentos, eu posso não querer curtir determinado som, ou posso sofrer uma espécie de isolamento pelo compromento físico inter-relacional alheio.

E sabe de uma coisa? Isso é maravilhoso!

Aprendi a dançar sozinha! Aos poucos estou me curtindo, aprendendo a me namorar.

Claro que dançar com desconhecidos também é legal, conheci muita gente muito interessante e caras sem a menor noção, que me fizeram rir como nunca.

Descobri como evitar determinadas situações e que, em relação a outras tantas, não remédio, são inevitáveis, mas até fazem bem ao ego, só preciso aprender direito como lidar com isso e, diga-se de passagem, estou começando a aprender a levar isso numa boa e até me divertindo com tudo.

Sempre odiei essas coisinhas de joguinhos, mas ultimamente, confesso, tenho começado a tentar adentrar nessa modalidade e, pasmem!, descobri que posso ser muito manipuladora!

Ah! Descobri outra coisa: jamais devo dar número de telefone, msn e afins, alguns caras realmente vão atrás, até mesmo quando você não fornece nenhum dado, eles te encontram! (será que têm alguma espécie de rastreador? hahaha)

Ah! Mas ainda estou cansada, tanto que não absorvi ainda tudo… Tampouco tenho vontade de escrever mais a respeito

Fica apenas a minha conclusão: vale a pena tentar ser feliz! 

hoje Quarta-feira, Jun 4 2008 

Hoje saí pelas ruas, achando, ou melhor, querendo encontrar alguma coisa que me fizesse sentir mais eu mesma.

Saí, porque me deu uma súbita tristeza, uma vontade de chorar, uma solidão arrebatadora, uma carência de uma querência…

Saí, porque a pior das solidões é aquela que acomete quando estamos cercados de gentes

Saí, porque não podia estudar. Os outros falavam e eu, distante, busquei sem sucesso alcançar-lhes o significado.

Após essa malfadada busca de significado no conhecido, busquei-me no alheio, no desconhecido…

Fui andando meio que sem rumo, meio que a caminho do trabalho, mas circundando as ruelas. Fingi para mim mesma, dizendo que estava a procura de sebos, depois de lojinhas de antiguidade.

Não entrei em nenhuma, nada hoje me apetecia.

Foi quando deparei-me com uma intrigante figurinha, que me trouxe um quê de humanidade e calor, ao meu dia tão triste, tão frio, tão vazio.

Estava lá, uma senhora de seus sessenta e poucos anos, totalmente perdida pelo centro da cidade… busca a “praça da república!” e dizia o seu destino com um tom meio mágico, um misto de ponto de chegada e de partida, repleto de um entusiasmo que há muito não me contagiava.

Como ainda faltava tempo para a minha hora de estágio, resolvi acompanhá-la pelo caminho. Era bom desfrutar da sua companhia e lá fomos as duas, desbravando o antigo centro de São Paulo, de faces às vezes tão duras, tão sérias, tão desalmadas…

Como foi bom encontrar naquela senhora tamanho carinho e entusiasmo! Ela pegou-me pelo braço e caminhamos as duas por algum tempo. Contou-me de sua vida, que estava em busca de um emprego como “doméstica”, mas que embora as oportunidades não fossem muito boas, ela estava confiante.

Quase a trouxe para casa. Sei que isso jamais seria possível, afinal,eu não tenho jurisdição para decidir sobre esses temas em casa, mas por um momento era o que mais queria. Era a solução para os meus problemas. Tinha encontrado a minha alma perdida!!!!

Claro que não posso pretender usurpar almas alheias, claro que tenho que procurar a que me é de direito… Mas subitamente isso pareceu ser uma possibilidade tão fascinantemente tentadora!!

Por fim, chegamos ao destino da minha anjinha, despedimo-nos e, muito provavelmente, jamais nos vejamos novamente. Tomara que ela encontre o emprego, tomara que eu encontre a minha alma…

Amém

a tradução… Terça-feira, Jun 3 2008 

segue a tradução da postagem do outro dia…

porque é um dos textos que mais gosto,

porque eu realmente me identifico com ele,

e porque hoje ele realmente quer dizer o que diz…

 

“O coração é do tamanho de um punho cerrado, semelhante a uma pêra virada ao contrário. O coração é o órgão que simboliza o amor e acompanha as emoções. Normalmente, num adulto, o coração contrai-se 60 a 70 vezes por minuto. Quando estamos apaixonados, bate muitas mais vezes, chegando a contrair-se 100 vezes, sem que a gente se aperceba. O coração é o ultimo a partir, continuando a bater, mesmo aquando fora do organismo, mesmo quando aquele que amamos nos abandona, mesmo quando já não queremos sofrer mais. Quando estamos apaixonados, deixamos de controlar o que sentimos; quando o coração nos bate forte por outra pessoa, já não somos nós a mandar… é ele”.

Do filme Manuale d’ Amore.

il cuore Domingo, Jun 1 2008 

“Il cuore ha le dimensioni di un pugno chiuso e ha una forma simile a una pera con la punta rivolta verso il basso.
Il cuore è l’organo simbolo dell’amore, segue il ritmo delle emozioni. Normalmente, in una persona adulta, il cuore si contrae 60-70 volte al minuto, in una persona innamorata molte di più: a volte si arriva a 100 senza rendersene conto.
Il cuore è l’ultimo ad andarsene; lui continua a battere, anche quando viene sottratto all’organismo, anche quando la persona amata ti abbandona, anche quando tu non vuoi più soffrire.
Non sei più tu che comandi quando sei innamorato…quando il tuo cuore batte forte per un’altra persona, non sei più tu che comandi, è lui!”

(dal film “Manuale d’amore”)

deixe a menina Domingo, Jun 1 2008 

Não é por estar na sua presença
Meu prezado rapaz
Mas você vai mal
Mas vai mal demais
São dez horas, o samba tá quente
Deixe a morena contente
Deixe a menina sambar em paz

Eu não queria jogar confete
Mas tenho que dizer
Cê tá de lascar
Cê tá de doer
E se vai continuar enrustido
Com essa cara de marido
A moça é capaz de se aborrecer

Por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz
E atrás dessa mulher mil homens, sempre tão gentis
Por isso para o seu bem
Ou tire ela da cabeça ou mereça a moça que você tem

Não sei se é para ficar exultante
Meu querido rapaz
Mas aqui ninguém o agüenta mais
São três horas, o samba tá quente
Deixe a morena com a gente
Deixe a menina sambar em paz

Por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz
E atrás dessa mulher mil homens, sempre tão gentis
Por isso para o seu bem
Ou tire ela da cabeça ou mereça a moça que você tem

Não sei se é para ficar exultante
Meu querido rapaz
Mas aqui ninguém o agüenta mais
São seis horas o samba tá quente
Deixe a morena com a gente
Deixe a menina sambar em paz

 

(chico buarque – mas faço minhas as suas palavras, “Por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz/E atrás dessa mulher mil homens, sempre tão gentis/Por isso para o seu bem/Ou tire ela da cabeça ou mereça a moça que você tem”!!)

mas vou até o fim… Sábado, Mai 31 2008 

Até o Fim

Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim
“inda” garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão , eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim
Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim
Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, a minha mula empacou
Mas vou até o fim
Não tem cigarro acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim ?
Eu já nem lembro “pronde” mesmo que eu vou
Mas vou até o fim
Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu estava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

 

Composição: Chico Buarque

Hoje não vi flores… Quinta-feira, Mai 29 2008 

Hoje, por onde quer que eu andasse, para onde quer que olhasse, não vi flores…

O dia passou e o vento trouxe as chuvas…

Mas eis que no céu eu vislumbro um céu magnífico…

Não era o céu azul, repleto de estrelas que tanto nos fascina: era um misto de nuvens brancas e variações de cores que o sol ajudava a compor de forma tão magnífica que, por um momento, parei e julguei não mais pertencer a esse mundo.

Naquele instante eu não era nada, nem queria ser, queria apenas ficar lá olhando pela minha janela o espetáculo da natureza sobre o céu da liberdade (pertinho do joão mendes rsrs)

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