Sim, finalmente retorno a este blog, que durante muito tempo (?!) serviu-me de porto seguro.
O conforto proporcionado por este espaço foi único para mim. Aqui pude simplesmente deixar fluir as palavras e os devaneios há tanto aprisionados em meu peito, sem receio de julgamentos e sem a esperança de leitores (muito embora eu tenha ido uma meia dúzia de que me orgulho profundamente. Oxalá eles retornem comigo nesta jornada!)
O leitor menos desavisado desta feita me interpretará mal, dirá que o machismo se apoderou de minhas idéias ou, ao contrário, dirá que foi o feminismo que o fez. Nenhuma coisa, nem outra - responderei com o prazer desta criança que, por gosto e teimosia, jamais deixei de ser. Jamais filiei-me a qualquer nomenclatura ou classificado, pois reservo-me, e disso não abro mão, o direito de mudar de opinião sempre. Ainda que seja para aquela de outrora, já abandonada por todos.
Enfim, vamos à reflexão que tem inquietado minhas noites…
Desaventuradas são as mulheres de meu tempo.
Já não sabem sê-lo.
Desconhecem seu sentido.
Carregam o fardo de mulher e o de homem. Escondem a fragilidade, como se defeito dos piores fosse. E o é nos dias de hoje, já que ninguém há de protegê-las.
Desaventuradas são as mulheres de meu tempo. Sozinhas, seguem adiante, ainda sem saber para onde. Buscam o amor e, antes, cuidam do dote. Não me digam que não se trata de dote, mulher recusar-se a desposar-se sem antes cuidar de ter seu ninho e seu patrimônio. Só não chamamos assim para não assustar quem quer que seja.
As mulheres de meu tempo buscam irremediavelmente o amor. No entanto, perdem-se. Contentam-se com migalhas de atenção. Mulher boa hoje é aquela que, além do dote (ou do patrimônio, se te custa admitir tal palavra), mantém a beleza altiva, o corpo impecável, a casa e os filhos. A rainha do lar hoje governa indústrias, mas não pode deixar o arroz queimar.
Embora se digam independentes, as mulheres de meu tempo estão sós, pois conhecem que a companhia é sempre passageira. Resignam-se a viver o momento, pois já não lhes é permitido sonhar.
Amor hoje é fruto do acaso. É cólera, paixão. Àquilo que antes se construía a dois, fruto de companheirismo e paciência, simplesmente não há mais tempo.
Amores hoje são instantâneos. Nascem e morrem em uma tarde de verão. Não escolhem quem, nem quando. Acontecem e simplesmente se vão.
Tristes as mullheres de meu tempo, que acreditam em amores perpétuos. Nos dias de hoje, tudo se vai. Triste de mim, que por vezes ouso neles acreditar. Só por eles sigo em frente, acreditando que talvez um dia isso para mim ocorra, sem querer acreditar nas verdades que se me apresentam.
Desaventuradas são as gentes de meu tempo. Consumem-se pelo egoísmo e pela certeza, desde que nascem, de não tem com quem contar. Apenas vivem. Ou melhor, sobrevivem.
O ser humano conseguiu aumentar sua sobrevida. Sobrevive a doenças, cóleras, paixões e desamores. Mas ainda não aprendeu a sobreviver a si mesmo.