sinto-me só
sozinha na multidão, um espectro pairando pelo ar, em busca de atenção.
carinho, às vezes penso que seus beijos não alcançam mais meus lábios, sinto-os distantes, como que em pensamento solto de tarde de verão.
às vezes parece que não sou mais nada, ou melhor, que preciso ser nada, porque é a única forma de não te trazer transtornos.
saio porque atrapalho aqui.
fico porque atrapalho alhures.
a vida passa e sei lá eu quem sou, quem conheço e quem desconheço.
sem rumo, sem direção, quando sei que é apenas seguir adiante, até onde o horizonte faz limite com o chão e o céu.
por medo de ser a primeira, tornei-me a última de minhas escolhas. assim, era bastante claro que tampouco fosse a tua.
fico para depois.
depois de amanhã, depois da vida, depois do carnaval.