No fundo da mata virgem, pulsa um coração.
Há milhas de distância, remanesce uma lástima de luz, uma réstia de espaço que, ignorado, deixou-se estar por tempos e tempos.
Julgou ele por muito, que algum dia seu brio viria a tona e conquistaria a merecida atenção. Todos conheceriam seu nome e seu passado seria célebre, digno de estórias.
Almejava a independência.
Descobriu-se escravo de si. De seus pensamentos.
Foi com custo que falou com os outros. Ainda sim, não conseguiu escutar sua voz. Tudo o que ouvia era um espectro de som. Uma sombra de seus atos.
O que teria ele realmente feito?
O que ainda vivia apenas no pensamento?
Dúvidas.
Seu universo de questões o afogava. O porto seguro que sempre fora sua alma, agora, sufocava-o.
O que fazer? A pior das lástimas é o tempo.
Sufraga os amores, aplaca as dores, torna-nos impassíveis diante da beleza, tal como das mais pérfidas barbáries.
O tempo é senhor de si. Arrebata-nos de tal forma, que deixamos de nos conhecer. Encontramo-nos, de repente, mais velhos, mais cansados, pouco avessos às mudanças de atitudes que nossos sonhos alimentavam.
Como isso aconteceu?
Com o tempo.