21 anos.

De que me valhem?

Sinceramente, acho que não ganho nada ao pensar nesses 21 anos que se passaram… até porque a memória nos trai, as dores são mais doces nas lembranças.

Subjulgamos as intempéries.

Tenho um grave problema com o ato de perdoar.

Acho que, para determinados golpes que sofremos, existe um prazo prescricional para pedir perdão, Quando não se pede em tempo, a dor maior é a de que deixou de pedir.

Quem sofreu, contudo, não se cura totalmente. Ao contrário, recebe uma cicatriz que, latente, reveste um imenso vazio. O descaso.

Para esse vazio, não há muito jeito. Não fizeram remédio. Ele se integra ao caráter, vira mais que um trauma, simplesmente bloqueamos tudo o que for relacionado a ele.

A pior coisa que pode acontecer é o pedido intempestivo pelo perdão.

Sim, porque já não há mais o que perdoar, mas tão somente subsiste aquele vazio atemorizante.

Nessas horas, um pedido de perdão significa uma facada no peito, humilha, é vil. É nesse momento que percebemos que o silêncio era melhor do que a fala. O que resta é o pranto.

Tudo o que se tinha de orgulho se esvai.

Alguma vezes acho que sou eu que estou ficando louca, que tudo nem foi tão ruim assim, que eu me coloquei em pose de vítima e chego a pensar ser eu a carrasca do meu tirano.

Mas eis que surge uma esperança: quebrei meu paradigma.

O caminho às vezes é importante por essas coisas… Precisava entender do que uma paixão é feita.

Um pouco de sonho, mais uma série de desavaneios, outro punhado de fé… No finalzinho é que se acrecente uma carinha de realidade à figura…

Sim, apaixonei-me foi pela minha própria criatura, a imagem que montei para mim sobre uma meia dúzia de palavras que escutei.

Incrível, mas acabei de perceber que fiz isso duas vezes nesses dois últimos anos. E fi-lo tão bem, que julguei estar até confusa entre dois amores.

A única coisa que de fato me faz sentir melhor é a consciência de que apesar de os dois não valerem sequer o que comem, o que senti não foi por eles, mas pela minha própria imaginação.

Por isso que um deles lembrava tanto um personagem de livro!

Meu Deus… Isso é egocentrismo revestido por um semblante de amor.

Ao meu orgulho, acho que saber disso fez melhor.

À minha cabeça, nem tanto, mas é o impulso que preciso para mudar…

Mãos à obra!